(Este texto é cortesia de minha amiga Cida Caltabiano, que dá a mesma disciplina que eu na faculdade e compilou essas informações sobre as diferentes teorias de aquisição)
Principais teorias/abordagens da Aquisição da Linguagem[1]
1. O empirismo: A teoria behaviorista
Para a corrente behaviorista ou ambientalista (final da década de 1950), a aprendizagem da linguagem seria fator de exposição ao meio e decorrente de mecanismos comportamentais como estímulo – resposta - reforço.
Para Skinner[2], aprender a língua materna não seria diferente, em essência, da aquisição de outras habilidades e comportamentos, como andar de bicicleta, dançar, já que ao longo do tempo, haveria um acúmulo de comportamentos verbais.
Imagine a situação de uma criança que vê a mãe e quer sair do berço (estímulo). Ela começa a chorar (resposta). Caso a mãe a retire do berço, ela está reforçando positivamente o comportamento da criança, isto é, a criança aprende que para sair do berço deve chorar. Se, por outro lado a mãe não atender a criança (reforço negativo), esta aprenderá que não é chorando que vai conseguir sair de lá.
Para Skinner, o mesmo princípio é usado para o aprendizado da língua. Imagine que a criança vê a mamadeira (estímulo) e diz papá. Se ela conseguir com isso que lhe dêem a mamadeira, será reforçada positivamente, aprenderá que quando quiser comida deve dizer papá.
Ø É assim que aprendermos nossa língua materna? Em que situações linguísticas e/ou não-linguisticas a visão de Skinner poderia ser aceita?
2. O racionalismo: Noam Chomsky[3] e a hipótese do inatismo
Como produzimos frases que nunca foram proferidas?
Como entendemos frases cuja referência não se encontra no contexto em que são produzidas?
Como as crianças aprendem a falar tão rapidamente?
Para Chomsky e seguidores
-> Existe uma Gramática Universal, que é uma matriz biológica responsável pela grande semelhança entre as línguas e pela rapidez com que as crianças aprendem a falar.
-> O meio cumpriria o papel de acionar o dispositivo responsável pela aquisição da língua.
-> As crianças aprendem a falar rapidamente porque, na verdade, já nascem dotadas de um dispositivo inato de aquisição de linguagem.
-> A criança fica exposta a uma fala fragmentada, repleta de frases incompletas, mas é capaz de internalizar num tempo muito curto a gramática de uma língua devido a este dispositivo inato, que aciona o conhecimento lingüístico prévio geneticamente herdado.
Na idade certa, o dispositivo será acionado e ela começará a falar.
As crianças criam palavras, fazem analogias, falam frases inéditas ainda muito cedo.
Além disso, com 4 ou 5 anos já utilizam praticamente todas as estruturas gramaticais de sua língua.
Os gerativistas
Questionam a forma como as crianças adquirem os elementos lingüísticos.
Para eles, existem
o As categorias lexicais – que são os substantivos, os verbos, os adjetivos e as preposições;
o As categorias funcionais – que são os instrumentos gramaticais das línguas, como os artigos, os pronomes, as conjunções e os advérbios, além das categorias gramaticais de número, gênero, caso, pessoa, tempo, etc.
Hipóteses para explicar a aquisição desses elementos:
Hipótese maturacional da aquisição da linguagem.[4]
o Existem diferentes fases para a aquisição de linguagem e a passagem de uma fase para outra é determinada pela maturação do organismo.
o Existe uma ordem na configuração da GU que determina que as categorias lexicais surjam antes das categorias funcionais.
o Para Radford, todas as crianças passam pelas seguintes fases de aquisição de linguagem:
Fase pré-lingüística
0 a 12 meses
Gestos e balbucios
Fase de uma palavra
de 12 a 18 meses
Sentenças com apenas 1 palavra
Fase multivocabular inicial
(fase lexical ou temático-lexical)
de 18 a 24 meses
Desenvolvimento dos sistemas lexicais
Nesta fase surgem as flexões nominais e a fixação dos parâmetros de ordem das palavras.
Fase multivocabular tardia
(fase funcional)
de 24 a 30 meses
Presença dos sistemas funcionais.
Essa fase só é atingida quando a criança dominou totalmente os sistemas lexicais.
Ex. Fala de uma menina brasileira com menos de 2 anos
a) Neném ta mexendo mimédio de vovô.
b) Casa de poquinho.
c) Panta de vovó.
d) Coocá na cama.
e) Carro é minha.
f) Mamãe abe, mamãe. Abiu. Esse abe não, abe não?
3. O cognitivismo
O cognitivismo vincula a linguagem à cognição, i.e, a aquisição e o desenvolvimento da linguagem são processos derivados do desenvolvimento do raciocínio na criança.
Piaget [5], assim como Vygotsky
· Não está interessado na aquisição da linguagem, mas na relação linguagem/pensamento.
· O sujeito constrói estruturas (conhecimento) com base na experiência com o mundo físico, ao interagir e ao reagir biologicamente a ele, no momento dessa interação.
· Não basta que a criança esteja apenas “exposta” à interação social, ela deve também estar “pronta”, no que se refere à maturação, desenvolver o(s) estágios necessário(s) para compreender o que a sociedade tem para lhe transmitir:
. sensório-motor, de 0 a 18/24 meses, que precede a linguagem;
. pré-operatório, de 1ano e meio-2 anos a 7-8 anos, fase das representações, dos símbolos;
. operatório-concreto, de 7-8 a 11-12 anos, estágio da construção da lógica;
. operatório-formal, de 11-12 anos em diante, fase em que a criança raciocina, deduz, etc.
-> Há pesquisas que apontam para a antecipação da entrada no pensamento operatório por crianças bilíngues.
A partir de uma perspectiva de Piaget, pode ser levantada a hipótese de que a exposição à língua e a culturas diferentes na 1ª infância beneficiaria o desenvolvimento da criança. Crianças bilíngües adquirem mais cedo a distinção entre significante e significado, uma vez que desde cedo têm a noção de que um objeto chama-se de determinada forma em uma língua, mas de outra forma em outra língua. Assim estariam sendo estimuladas a perceber a relatividade dos conceitos e a colocarem-se no lugar do outro para considerar qual língua é inteligível a ele
-> Para Piaget, são 2 as categorias de linguagem:
egocêntrica – as conversações das crianças são egocêntricas ou centralizadas (fala consigo mesma), não o objetivo de comunicar nem levam em consideração a presença de um interlocutor, quando é o caso, pois não há função social nelas.
e socializada – nessa fase a criança passa a interagir, por meio de perguntas, respostas, ameaças, etc.
-> Apesar de mencionar esse aspecto social, Piaget não levou em conta o papel do outro nesse processo de aquisição/desenvolvimento da linguagem infantil, pois para ele a maturação (estágios) acontece de forma individual.
4. (Socio)Interacionismo
Tal teoria baseia-se na interação verbal, no diálogo da criança com o adulto.
Nesse sentido, o desenvolvimento da linguagem e do pensamento tem origens sociais, externas, nas trocas comunicativas entre os dois interlocutores.
Para Vygotsky [6]
todo conhecimento se constrói socialmente, pela aprendizagem nas relações com os outros.
O adulto tem um papel fundamental no processo de aquisição da linguagem, funcionando enquanto regulador/medidor de todas as informações que as crianças recebem do meio.
Essas informações são sempre intermediadas pelos que as cercam, e uma vez recebidas, são reelaboradas num tipo de linguagem interna, individual.
É desse modo que a criança se desenvolve na interação com o outro e aprende com ele (adulto) aquilo que em breve ela será capaz de fazer sozinha.
A aquisição da habilidade depende da instrução dada pelo adulto no momento em que a criança se encontra na chamada Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), i.e, uma fase de transição entre aquilo que ela é capaz de fazer sozinha e o que ainda não é capaz de realizar por si só, mas pode fazê-lo com o auxilio de alguém mais experiente, como a mãe, o professor, outros adultos, colegas mais velhos, etc.
Para Vygotsky, a criança também deve passar por um processo de desenvolvimento das operações mentais e, para tanto, propõe fases.
Os primeiros sons do bebê são dissociados do pensamento; essa união só acontece por volta dos 2 anos, qdo a fala assume uma função simbólica e organizadora do pensamento. É nessa idade tb. que as estruturas construídas externamente pela criança são internalizadas em representações mentais. A fala, resultante da internalização da ação e do diálogo, servirá de suporte para que a criança comece a controlar o ambiente e o próprio comportamento.
Piaget e Vygotsky – insistiram no aspecto cognitivo como fator determinante para o desenvolvimento da linguagem da criança.
Diferença –
Para Piaget -> trata-se de um processo individual, i.e., a criança passaria sozinha pelo processo de internalização;
Para Vygotksy -> a fala (egocêntrica) da criança é essencialmente social, depende da reação das outras pessoas e tende a se internalizar.
Atividade: Sobre o filme O Enigma de Kaspar Hauser. Responda as perguntas abaixo:
O Enigma de Kaspar Hauser (1974) é uma das obras-primas do cineasta alemão Werner Herzog. O nome original do filme é: Jeder Für Sich Und Gott Gegen Alle
a) Que relações vc. pode fazer entre as discussões sobre aquisição da linguagem e o filme. Comente sobre o comportamento lingüístico e social de Kaspar.
b) Comente cenas em que se destaca o ensino da linguagem, de comportamentos e atitudes. Que ´teoria´ embasaria/ estaria subjacente a essas cenas escolhidas/(re)lembradas por você?
[1] Textos de referência: a) Santos, R. A aquisição da linguagem. In: FIORIN, José Luiz (org.) Introdução à Lingüística. I. Objetos teóricos. São Paulo: Editora Cortez, 2002.
b) Del Ré, Alessandra. A pesquisa em Aquisição da Linguagem: teoria e prática. In ____ (org.) Aquisição da linguagem: uma abordagem psicolingüística. São Paulo: Editora Contexto.
c) Martelotta, M. E. et alli. Aquisição de Linguagem. In: _____Manual de Lingüística. São Paulo: Editora Contexto, 2008.
d) Scarpa, Ester M. Aquisição da Linguagem. In: Mussalin & Bentes. Introdução à Lingüística. Domínios e Fronteiras. Vol.2. São Paulo: Cortez Editora, 2001.
[2] Burrhus Frederic Skinner (1904-1990, Pensilvânia, EUA). Graduou-se em Psicologia em 1930. Trabalhou na Universidade de Minesota e quando ingressou em Harvard influenciou toda uma geração de estudantes. Principal obra Comportamento Verbal, 1957.
[3] Avram Noam Chomsky (nascido na Filadélfia, EUA, em1928) é professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA .
[4] Radford 1993. Syntactic Theory and the Acquisition of English Syntax.
[5] Jean Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1896 e faleceu em Genebra em 1980.
[6] Lev Semionovitch Vygotsky (1896, Orsha-1934, Moscou) foi um psicólogo bielo-russo, descoberto nos meios acadêmicos ocidentais depois de sua morte, causada por tuberculose, aos 37 anos. (variações:Vigotski, Vygotski ou Vigotsky)
terça-feira, 3 de novembro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
An Outline of English Phonology
ICELT session taught today:
This session is devided in three parts. The first one is a brief overview of the phonological system of English. The second part contrasts Portuguese and English stress-marking features. Throughout the remainder of the session, the participants will have the chance to compare the characteristics of stress (and pitch-accent) in the two languages and see how stress-marking alone can have a significant influence on intonation patterns at word level, sentence level and discourse level.
This session is devided in three parts. The first one is a brief overview of the phonological system of English. The second part contrasts Portuguese and English stress-marking features. Throughout the remainder of the session, the participants will have the chance to compare the characteristics of stress (and pitch-accent) in the two languages and see how stress-marking alone can have a significant influence on intonation patterns at word level, sentence level and discourse level.
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English phonology,
English Pronunciation,
ICELT
L2 Acquisition and Methodologies
Lecture given at the Cel-Lep conference:
In a world full of research and scientific studies about 2nd language acquisition, we teachers are often caught up in the middle of new approaches and methodologies based on the latest research and trends (even in a so-called “post-method era”). The methodology changes, teachers go through new trainings, development courses, reflective teaching sessions or whatchamacallit. What about the teacher? And the learner? And the language being taught? In this session we will have a chance to approach these questions as well as the acquisition processes a learner goes through in his English learning experience.
In a world full of research and scientific studies about 2nd language acquisition, we teachers are often caught up in the middle of new approaches and methodologies based on the latest research and trends (even in a so-called “post-method era”). The methodology changes, teachers go through new trainings, development courses, reflective teaching sessions or whatchamacallit. What about the teacher? And the learner? And the language being taught? In this session we will have a chance to approach these questions as well as the acquisition processes a learner goes through in his English learning experience.
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L2 acquisition,
learning styles,
methodologies,
methods
terça-feira, 15 de setembro de 2009
PUC-SP (graduação) English Syntax
15/09/2009
Starting with the question (by Caboclo) about the thematic role of "it" in the sentence:
It was proven almost three centuries ago that light was made up of waves.
Patrícia wanted to know if "it" in the sentence had been assigned a thematic role.
In order to explain to her that "it" in the sentence above does not have a thematic role alone (but only in "coindexation" with "that light was made up of waves"), I resorted to the theory of Principles and Parameters (PPT) to explain that in languages like English which are marked negatively for the Null Subject Parameter (NSP), the semantically empty (nonreferential) subject "it" is just a filler making sure that a position that cannot be left empty is properly filled.
Concepts that we elaborated on during this class:
- Principles and Parameters
- the notion of "subject" (person, number, reference)
- filler, expletive, nonreferential subject
- reference: the connection between language (the sign) and an "object" in the real world.
- Null Subject Parameter: English (-); Portuguese (+)
- There is a relationship between the subject and the verb inflection. This relationship is extremely important in language acquisition.
For next class (28/09/09):
- revise everything we've seen so far
- Work on the exercises about phrase structure
Starting with the question (by Caboclo) about the thematic role of "it" in the sentence:
It was proven almost three centuries ago that light was made up of waves.
Patrícia wanted to know if "it" in the sentence had been assigned a thematic role.
In order to explain to her that "it" in the sentence above does not have a thematic role alone (but only in "coindexation" with "that light was made up of waves"), I resorted to the theory of Principles and Parameters (PPT) to explain that in languages like English which are marked negatively for the Null Subject Parameter (NSP), the semantically empty (nonreferential) subject "it" is just a filler making sure that a position that cannot be left empty is properly filled.
Concepts that we elaborated on during this class:
- Principles and Parameters
- the notion of "subject" (person, number, reference)
- filler, expletive, nonreferential subject
- reference: the connection between language (the sign) and an "object" in the real world.
- Null Subject Parameter: English (-); Portuguese (+)
- There is a relationship between the subject and the verb inflection. This relationship is extremely important in language acquisition.
For next class (28/09/09):
- revise everything we've seen so far
- Work on the exercises about phrase structure
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nonreferential subject,
Null Subject Parameter,
syntax course,
thematic role
PUC-SP (graduação) Aquisição de Linguagem e Bilinguismo (5as e 6as)
10 e 11/09/2009
Still characterizing and discussing (and):
- nativeness: native speaker (NS) vc nonnative speaker (NNS)
- competence and performance
- emphasizing the biological nature of human language
- defining a language in terms of linguistics
- The Chomskyan perspective on language acquisition
Learning continuum: when you start learning a language, where do you stand in relation to the target language (TL)? Where do you expect to be when you "finish" your course/process? Do you feel you got there already?
A good grammar must have explanatory and descriptive power
A differentiation between receptive skills (listening and reading) and productive skills (speaking and writing). The native speaker also has performance differences between these two sets. Only, however, the native speaker has the "illusion" that s/he can understand everything in her/his native language.
Next class:
We will compare the grammatical judgment between sentences in English and Portuguese.
Still characterizing and discussing (and):
- nativeness: native speaker (NS) vc nonnative speaker (NNS)
- competence and performance
- emphasizing the biological nature of human language
- defining a language in terms of linguistics
- The Chomskyan perspective on language acquisition
Learning continuum: when you start learning a language, where do you stand in relation to the target language (TL)? Where do you expect to be when you "finish" your course/process? Do you feel you got there already?
A good grammar must have explanatory and descriptive power
A differentiation between receptive skills (listening and reading) and productive skills (speaking and writing). The native speaker also has performance differences between these two sets. Only, however, the native speaker has the "illusion" that s/he can understand everything in her/his native language.
Next class:
We will compare the grammatical judgment between sentences in English and Portuguese.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
"Dicas" para aprender inglês (entrevista à Allianz)
Entrevista dada a jornalista Cláudia Visoni para a Allianz. A Allianz é uma multinacional de origem alemã que promove muito intercâmbio de informações e pessoas pelo mundo. A língua oficial da empresa é o inglês, então teoricamente todo mundo precisa saber se comunicar na língua. Boa parte das pessoas é fluente e mais gente ainda está a caminho de ser. A ideia da matéria é ajudar as pessoas a fazer melhor uso dos recursos de aprendizado que procuram e esclarecer alguns conceitos.
1 - Quais são as principais características das boas escolas e bons métodos de ensino de inglês?
As boas escolas são as que possuem os professores com a melhor formação e maior conhecimento sobre metodologia de ensino e estilo de aprendizagem do inglês. Por mais que vivamos em uma era "pós-métodos", como alguns preferem defender, só somos capazes de identificar o aluno, seu estilo de aprendizagem, a melhor abordagem e se funciona ou não, e o porquê da eficiência, com base em uma formação sólida em tipos de métodos e estilos de aprendizagem. Somente, conhecendo-se bem as diferentes metodologias, métodos e abordagens é possível se desvincular dos métodos e avaliar o que cada indivíduo necessita. É somente através do conhecimento que podemos transgredir as receitas, e nos livrarmos das amarras dos métodos e metodologias. É comum profissionais que defendem essa liberdade não possuírem tal conhecimento, e seguirem uma fórmula baseada na “escola de pensamento da vez” fantasiada de “livre de métodos”. Há também uma outra questão, normalmente negligenciada pelas escolas e coordenadores em geral: questões de aquisição de uma segunda língua. É de suma importância que um bom professor, com uma boa formação e um sólido conhecimento sobre diferentes metodologias também conheça os processos psicolingüísticos envolvidos na aquisição. Para tal, uma formação lingüística, além de pedagógica é importante. Isso só é possível se a escola tiver bons professores sob uma boa coordenação.
2 – Quais os indícios de que um curso não está dando resultado e é melhor procurar outra alternativa para aprender inglês?
O melhor termômetro é, primeiramente, se você sente estar aprendendo, se gosta de ir à aula. Nem sempre é divertido, mas você tem que sentir que funciona. Muitas vezes, não aprendemos uma língua por estarmos em uma situação em que a “metodologia” da escola não é compatível com nosso estilo de aprendizagem. O leigo não consegue identificar isso, e muitas vezes nem o professor, e o aprendiz acaba por se sentir incapaz de aprender, enquanto o professor acredita que o aluno “não aprende”. Só um professor capacitado com as qualidades que mencionei na primeira pergunta é capaz de identificar essa incompatibilidade e redirecionar o aluno. Algumas pessoas aprendem melhor com um professor individual, outros em grupo. Outros ainda em uma abordagem mais tradicional. Outros, mais desinibidos, se dão bem em uma escola que valoriza as práticas sociais. Portanto, não se deve levar à risca a indicação de “abordagem da vez”.
3 – Quais são as suas dicas para fazer o inglês “deslanchar” nas viagens ao exterior?
Primeiramente, estar no chamado nível intermediário ou avançado. Fica difícil “penetrar” a língua sem ter um vocabulário básico e boas noções de funcionamento da língua. Não viaje com alguém que fala inglês melhor que você, você ficará à sombra dessa pessoa. O último, e mais importante, fuja de pessoas que falam sua língua nativa. Lembre-se de que de onde você vem, todo mundo fala sua língua. Não há a menor necessidade de viajar tanto e gastar uma fortuna para praticar português. Para quem vai para fora buscando um curso de línguas, fica a dica: se seu nível for intermediário ou superior, procure um curso de culinária, fotografia, paisagismo, design gráfico ou qualquer outro, menos de inglês. O Brasil é um país que tem excelência (reconhecida) no ensino de inglês. Dificilmente você vai encontrar uma escola no exterior que ofereça condições melhores que os bons institutos brasileiros. Além disso, seus colegas de classe serão estrangeiros que falarão inglês com sotaque igual ou pior que você. Nos cursos que eu mencionei, você terá aula com nativos (colegas e professores) e sua exposição à língua aumentará consideravelmente.
4 – Além de ter aulas, quais outras atitudes cotidianas podem facilitar o aprendizado do inglês?
Recomendo ler em inglês, assistir filmes com legendas em inglês e tentar se expor ao máximo à língua. Tentar conversar com pessoas que você sabe que falam melhor que você também ajuda. No entanto, qualquer dica vai por água abaixo sem se considerar as características individuais do aprendiz. Alguns brasileiros não se sentem bem em conversar com outros brasileiros em inglês. Tinha uma amiga, que dava aulas de inglês, e ela tinha três gravadores estrategicamente posicionados na sua casa. Onde quer que fosse ligava um “áudio-book” para ficar ouvindo a língua e se expor ao máximo à melodia e cadência do inglês. A melhor dica é fazer o que você acredita que funciona para você, mesmo que seja ouvir sua música favorita no “youtube” na versão Karaokê.
5 – O que fazer para superar o bloqueio na hora de falar quando a compreensão oral já é quase completa?
Novamente, não há uma fórmula para isso. Acho que viajar, considerando-se as sugestões acima e as dicas de como se expor mais à língua ajudam muito. Vários dos bloqueios não são de cunho lingüístico, mas psicológico. Algumas pessoas não se identificam com a língua e se sentem “ridículos” falando um outro idioma. São barreiras que o aprendiz deve superar, mesmo que seja com ajuda de terapia. O simples fato de entender o que é falado, ler e escrever, sem conseguir falar é indício suficiente que a língua foi aprendida. Portanto, o bloqueio não advém da incapacidade lingüística do indivíduo, mas de sua auto-imagem ou qualquer outro impedimento que está fora da capacidade da linguagem.
6 - É possível se tornar bilíngue mesmo começando a estudar inglês depois de adulto?
Sim. Há atualmente no Brasil uma confusão enorme sobre o termo “bilíngüe”. O termo bilíngüe refere-se a qualquer pessoa que tem comando (intermediário ou avançado) de um idioma. Interessantemente, uma criança que cresce falando duas línguas simultaneamente também é dita bilíngüe. A diferença entre o primeira definição e a segunda é que o adulto é chamado de bilíngüe consecutivo (aquele que aprende primeiramente a língua materna e posteriormente uma outra língua e possuirá sotaque, limitação de vocabulário e limitação intuitiva sobre julgamentos gramaticais, referentes à aceitabilidade de sentenças na língua aprendida), enquanto que a criança que cresce falando duas línguas é um bilíngüe simultâneo, como se possuísse duas línguas maternas. Sim, embora de tipos diferentes, ambos são bilíngües.
7 – Por que é mais fácil para as crianças aprender inglês?
Digamos que a criança está numa fase de desenvolvimento em que seu organismo se movimenta no sentido de adquirir a língua. Por volta de três anos e meio a estrutura lingüística de uma criança já está formada. Faz parte da programação biológica do ser humano desenvolver linguagem para interagir com o mundo. A criança está desenvolvendo a linguagem como está desenvolvendo outras funções. Após a sedimentação e aquisição completa de sua primeira língua, tal função parece estar cada vez menos disponível; sendo assim, o processo é cada vez mais difícil com o passar dos anos.
1 - Quais são as principais características das boas escolas e bons métodos de ensino de inglês?
As boas escolas são as que possuem os professores com a melhor formação e maior conhecimento sobre metodologia de ensino e estilo de aprendizagem do inglês. Por mais que vivamos em uma era "pós-métodos", como alguns preferem defender, só somos capazes de identificar o aluno, seu estilo de aprendizagem, a melhor abordagem e se funciona ou não, e o porquê da eficiência, com base em uma formação sólida em tipos de métodos e estilos de aprendizagem. Somente, conhecendo-se bem as diferentes metodologias, métodos e abordagens é possível se desvincular dos métodos e avaliar o que cada indivíduo necessita. É somente através do conhecimento que podemos transgredir as receitas, e nos livrarmos das amarras dos métodos e metodologias. É comum profissionais que defendem essa liberdade não possuírem tal conhecimento, e seguirem uma fórmula baseada na “escola de pensamento da vez” fantasiada de “livre de métodos”. Há também uma outra questão, normalmente negligenciada pelas escolas e coordenadores em geral: questões de aquisição de uma segunda língua. É de suma importância que um bom professor, com uma boa formação e um sólido conhecimento sobre diferentes metodologias também conheça os processos psicolingüísticos envolvidos na aquisição. Para tal, uma formação lingüística, além de pedagógica é importante. Isso só é possível se a escola tiver bons professores sob uma boa coordenação.
2 – Quais os indícios de que um curso não está dando resultado e é melhor procurar outra alternativa para aprender inglês?
O melhor termômetro é, primeiramente, se você sente estar aprendendo, se gosta de ir à aula. Nem sempre é divertido, mas você tem que sentir que funciona. Muitas vezes, não aprendemos uma língua por estarmos em uma situação em que a “metodologia” da escola não é compatível com nosso estilo de aprendizagem. O leigo não consegue identificar isso, e muitas vezes nem o professor, e o aprendiz acaba por se sentir incapaz de aprender, enquanto o professor acredita que o aluno “não aprende”. Só um professor capacitado com as qualidades que mencionei na primeira pergunta é capaz de identificar essa incompatibilidade e redirecionar o aluno. Algumas pessoas aprendem melhor com um professor individual, outros em grupo. Outros ainda em uma abordagem mais tradicional. Outros, mais desinibidos, se dão bem em uma escola que valoriza as práticas sociais. Portanto, não se deve levar à risca a indicação de “abordagem da vez”.
3 – Quais são as suas dicas para fazer o inglês “deslanchar” nas viagens ao exterior?
Primeiramente, estar no chamado nível intermediário ou avançado. Fica difícil “penetrar” a língua sem ter um vocabulário básico e boas noções de funcionamento da língua. Não viaje com alguém que fala inglês melhor que você, você ficará à sombra dessa pessoa. O último, e mais importante, fuja de pessoas que falam sua língua nativa. Lembre-se de que de onde você vem, todo mundo fala sua língua. Não há a menor necessidade de viajar tanto e gastar uma fortuna para praticar português. Para quem vai para fora buscando um curso de línguas, fica a dica: se seu nível for intermediário ou superior, procure um curso de culinária, fotografia, paisagismo, design gráfico ou qualquer outro, menos de inglês. O Brasil é um país que tem excelência (reconhecida) no ensino de inglês. Dificilmente você vai encontrar uma escola no exterior que ofereça condições melhores que os bons institutos brasileiros. Além disso, seus colegas de classe serão estrangeiros que falarão inglês com sotaque igual ou pior que você. Nos cursos que eu mencionei, você terá aula com nativos (colegas e professores) e sua exposição à língua aumentará consideravelmente.
4 – Além de ter aulas, quais outras atitudes cotidianas podem facilitar o aprendizado do inglês?
Recomendo ler em inglês, assistir filmes com legendas em inglês e tentar se expor ao máximo à língua. Tentar conversar com pessoas que você sabe que falam melhor que você também ajuda. No entanto, qualquer dica vai por água abaixo sem se considerar as características individuais do aprendiz. Alguns brasileiros não se sentem bem em conversar com outros brasileiros em inglês. Tinha uma amiga, que dava aulas de inglês, e ela tinha três gravadores estrategicamente posicionados na sua casa. Onde quer que fosse ligava um “áudio-book” para ficar ouvindo a língua e se expor ao máximo à melodia e cadência do inglês. A melhor dica é fazer o que você acredita que funciona para você, mesmo que seja ouvir sua música favorita no “youtube” na versão Karaokê.
5 – O que fazer para superar o bloqueio na hora de falar quando a compreensão oral já é quase completa?
Novamente, não há uma fórmula para isso. Acho que viajar, considerando-se as sugestões acima e as dicas de como se expor mais à língua ajudam muito. Vários dos bloqueios não são de cunho lingüístico, mas psicológico. Algumas pessoas não se identificam com a língua e se sentem “ridículos” falando um outro idioma. São barreiras que o aprendiz deve superar, mesmo que seja com ajuda de terapia. O simples fato de entender o que é falado, ler e escrever, sem conseguir falar é indício suficiente que a língua foi aprendida. Portanto, o bloqueio não advém da incapacidade lingüística do indivíduo, mas de sua auto-imagem ou qualquer outro impedimento que está fora da capacidade da linguagem.
6 - É possível se tornar bilíngue mesmo começando a estudar inglês depois de adulto?
Sim. Há atualmente no Brasil uma confusão enorme sobre o termo “bilíngüe”. O termo bilíngüe refere-se a qualquer pessoa que tem comando (intermediário ou avançado) de um idioma. Interessantemente, uma criança que cresce falando duas línguas simultaneamente também é dita bilíngüe. A diferença entre o primeira definição e a segunda é que o adulto é chamado de bilíngüe consecutivo (aquele que aprende primeiramente a língua materna e posteriormente uma outra língua e possuirá sotaque, limitação de vocabulário e limitação intuitiva sobre julgamentos gramaticais, referentes à aceitabilidade de sentenças na língua aprendida), enquanto que a criança que cresce falando duas línguas é um bilíngüe simultâneo, como se possuísse duas línguas maternas. Sim, embora de tipos diferentes, ambos são bilíngües.
7 – Por que é mais fácil para as crianças aprender inglês?
Digamos que a criança está numa fase de desenvolvimento em que seu organismo se movimenta no sentido de adquirir a língua. Por volta de três anos e meio a estrutura lingüística de uma criança já está formada. Faz parte da programação biológica do ser humano desenvolver linguagem para interagir com o mundo. A criança está desenvolvendo a linguagem como está desenvolvendo outras funções. Após a sedimentação e aquisição completa de sua primeira língua, tal função parece estar cada vez menos disponível; sendo assim, o processo é cada vez mais difícil com o passar dos anos.
Bilinguismo: Mitos
Em breve comentarei cada uma das perguntas e respostas (Marcello)
O que é Bilingüismo?
Bilingüismo é o termo que define a habilidade de um indivíduo de se comunicar em duas línguas, sendo que uma língua pode predominar em relação a outra.
Os lingüistas usam o termo "bilingüismo equilibrado" para designar a fluência completa (entender, falar, escrever e ler) em duas línguas.
Mitos com relação ao bilingüismo
"Aprender duas línguas ao mesmo tempo confunde a criança e diminui sua inteligência."
Este mito surgiu com base em pesquisas antigas feitas nos Estados Unidos, que afirmavam que pessoas bilíngües eram menos inteligentes que as monolíngües. Pesquisas recentes detectaram várias falhas nessas pesquisas antigas. O maior erro é que esses estudos foram feitos com crianças que haviam migrado há pouco tempo para os Estados Unidos e obviamente não tinham tido tempo de aprender o inglês.
Foi apenas a partir de 1962 que os estudos de E. Pearl e W. Lambert , realizados com alto rigor científico e metodológico, comprovaram a superioridade intelectual dos bilíngües; superioridade esta que diz respeito a uma maior flexibilidade cognitiva, resultante da constante passagem de um sistema lingüístico a outro. A partir daí, outras pesquisas nesta área, desenvolvidas na Suiça por L. Balkan(1983), na Ucrânia por J.Cummings e M.Gulutsan (1983) e na Nigéria por N.Okoh(1980), demonstraram que os bilíngües possuíam mais habilidades para realizar operações mentais com percentuais, faziam construções verbais e não-verbais mais elaboradas, tinham mais facilidade para deduzir regras e mostravam-se mais criativos e com maior capacidade para analisar os conceitos subjacentes às informações recebidas.
"A criança deve aprender primeiro uma língua direito para depois aprender a outra."
Como no item acima, é mais um mito baseado em pesquisas ultrapassadas. As crianças que aprendem duas línguas em um ambiente familiar com amor e carinho conseguem aprender as duas línguas perfeitamente. Já as crianças que aprendem as duas línguas em um ambiente familiar ou social hostil e estressado podem apresentar problemas no desenvolvimento lingüístico - o mesmo acontece com crianças que aprendem apenas uma língua. Ou seja, o ambiente saudável e o amor que a criança recebe é que vão determinar o seu desenvolvimento. O número de línguas que ela aprende não tem nada a ver com isso.
"Uma criança que aprende duas línguas não vai se sentir bem falando nenhuma das duas. Não vai pertencer nem a uma cultura, nem a outra."
Os parentes, amigos ou até estranhos no meio da rua se acham muitas vezes no direito de aconselhar as mães a tomarem cuidado com os "problemas de identidade" que a criança pode ter se falar duas línguas. Acham que a criança não conseguirá se identificar nem com uma cultura nem com outra. A verdade é que os adultos que cresceram como bilíngües em geral dizem que não tiveram dificuldade de se integrarem a uma ou outra cultura. As crianças que são bem recebidas em ambas as culturas se sentirão bem nas duas culturas. Uma criança que fala português e alemão se sentirá bem tanto com pessoas que falam português como com pessoas que falam alemão. Qualquer problema nessa área é de origem social ou pessoal, não lingüística.
"Quem fala duas línguas pensa só em uma e traduz mentalmente para a outra."
A grande maioria das pessoas que são bilíngües pensa nas duas línguas. Elas não precisam traduzir mentalmente de uma para a outra, como a maioria das pessoas que só falam uma língua imagina.
"Crianças bilíngües serão ótimos tradutores quando crescerem."
Falso. Nenhum estudo mostra um relação entre bilingüismo e facilidade (ou dificuldade) para traduzir.
"Uma pessoa bilíngüe de verdade nunca mistura as línguas. Quem confunde uma língua com outra não fala nem uma nem outra direito."
Os bilíngües misturam as línguas às vezes e é por isso que muita gente duvida de que realmente consigam separar uma da outra. Em geral, não se trata de confusão ou dificuldade de separar as línguas. Na maioria dos casos, os bilíngües usam uma palavra da outra língua quando não acham tradução direta ou quando querem causar efeito. Crianças pequenas que estejam aprendendo as duas línguas podem misturar um pouco durante algum tempo, mas isso tende a se normalizar com a continuidade do aprendizado das línguas.
"Os bilíngües têm dupla personalidade."
Bilingüismo não leva à dupla personalidade. O que acontece é que os bilíngües assumem atitudes diferentes quando falam uma ou outra língua devido às diferenças culturais relacionadas a essas línguas. Quando um bilíngüe fala português, ele se comporta de acordo com o padrão de comportamento das pessoas que falam português com ele. Ao falar alemão, não terá apenas que mudar de língua, mas também de atitude ao se comunicar em um meio "alemão". Isso não tem nada a ver com a personalidade do indivíduo, e sim com o ambiente social em que se encontra.
"O bilingüismo é uma exceção. O normal é ser monolíngüe."
É praticamente impossível saber exatamente quantas pessoas bilíngües existem no mundo, mas as últimas estimativas indicam que mais da metade da população mundial é bilíngüe. Quem nasceu em um país onde só se fala uma língua não percebe que a grande maioria dos países abriga falantes de várias línguas. Mesmo dentro do Brasil há regiões onde mais de uma língua são faladas e onde as crianças crescem bilíngües
"O seu filho já tem X anos? Agora é tarde, ele nunca vai aprender as duas línguas."
É verdade que, quanto mais cedo alguém aprender uma língua, mais rápido e melhor será o aprendizado. As razões para isso são biológicas - crianças aprendem melhor e mais rápido que os adultos. Por outro lado, há adultos que conseguem aprender perfeitamente uma outra língua, muitas vezes até sem sotaque. Tenha a pessoa que idade tiver, ela é capaz de aprender uma outra língua. As diferenças de aprendizado de uma pessoa para a outra são causadas não só pela idade, mas também pelo empenho, motivação, nível escolar, tempo de exposição à língua, entre outros fatores.
Se o seu filho já não tem mais três anos de idade, mas também não é um adulto, não há porque não começar agora a falar português com ele, caso você só tenha falado alemão até hoje.
Site:
http://www.viver-na-alemanha.de/index.php?option=com_content&task=view&id=42&Itemid=174
O que é Bilingüismo?
Bilingüismo é o termo que define a habilidade de um indivíduo de se comunicar em duas línguas, sendo que uma língua pode predominar em relação a outra.
Os lingüistas usam o termo "bilingüismo equilibrado" para designar a fluência completa (entender, falar, escrever e ler) em duas línguas.
Mitos com relação ao bilingüismo
"Aprender duas línguas ao mesmo tempo confunde a criança e diminui sua inteligência."
Este mito surgiu com base em pesquisas antigas feitas nos Estados Unidos, que afirmavam que pessoas bilíngües eram menos inteligentes que as monolíngües. Pesquisas recentes detectaram várias falhas nessas pesquisas antigas. O maior erro é que esses estudos foram feitos com crianças que haviam migrado há pouco tempo para os Estados Unidos e obviamente não tinham tido tempo de aprender o inglês.
Foi apenas a partir de 1962 que os estudos de E. Pearl e W. Lambert , realizados com alto rigor científico e metodológico, comprovaram a superioridade intelectual dos bilíngües; superioridade esta que diz respeito a uma maior flexibilidade cognitiva, resultante da constante passagem de um sistema lingüístico a outro. A partir daí, outras pesquisas nesta área, desenvolvidas na Suiça por L. Balkan(1983), na Ucrânia por J.Cummings e M.Gulutsan (1983) e na Nigéria por N.Okoh(1980), demonstraram que os bilíngües possuíam mais habilidades para realizar operações mentais com percentuais, faziam construções verbais e não-verbais mais elaboradas, tinham mais facilidade para deduzir regras e mostravam-se mais criativos e com maior capacidade para analisar os conceitos subjacentes às informações recebidas.
"A criança deve aprender primeiro uma língua direito para depois aprender a outra."
Como no item acima, é mais um mito baseado em pesquisas ultrapassadas. As crianças que aprendem duas línguas em um ambiente familiar com amor e carinho conseguem aprender as duas línguas perfeitamente. Já as crianças que aprendem as duas línguas em um ambiente familiar ou social hostil e estressado podem apresentar problemas no desenvolvimento lingüístico - o mesmo acontece com crianças que aprendem apenas uma língua. Ou seja, o ambiente saudável e o amor que a criança recebe é que vão determinar o seu desenvolvimento. O número de línguas que ela aprende não tem nada a ver com isso.
"Uma criança que aprende duas línguas não vai se sentir bem falando nenhuma das duas. Não vai pertencer nem a uma cultura, nem a outra."
Os parentes, amigos ou até estranhos no meio da rua se acham muitas vezes no direito de aconselhar as mães a tomarem cuidado com os "problemas de identidade" que a criança pode ter se falar duas línguas. Acham que a criança não conseguirá se identificar nem com uma cultura nem com outra. A verdade é que os adultos que cresceram como bilíngües em geral dizem que não tiveram dificuldade de se integrarem a uma ou outra cultura. As crianças que são bem recebidas em ambas as culturas se sentirão bem nas duas culturas. Uma criança que fala português e alemão se sentirá bem tanto com pessoas que falam português como com pessoas que falam alemão. Qualquer problema nessa área é de origem social ou pessoal, não lingüística.
"Quem fala duas línguas pensa só em uma e traduz mentalmente para a outra."
A grande maioria das pessoas que são bilíngües pensa nas duas línguas. Elas não precisam traduzir mentalmente de uma para a outra, como a maioria das pessoas que só falam uma língua imagina.
"Crianças bilíngües serão ótimos tradutores quando crescerem."
Falso. Nenhum estudo mostra um relação entre bilingüismo e facilidade (ou dificuldade) para traduzir.
"Uma pessoa bilíngüe de verdade nunca mistura as línguas. Quem confunde uma língua com outra não fala nem uma nem outra direito."
Os bilíngües misturam as línguas às vezes e é por isso que muita gente duvida de que realmente consigam separar uma da outra. Em geral, não se trata de confusão ou dificuldade de separar as línguas. Na maioria dos casos, os bilíngües usam uma palavra da outra língua quando não acham tradução direta ou quando querem causar efeito. Crianças pequenas que estejam aprendendo as duas línguas podem misturar um pouco durante algum tempo, mas isso tende a se normalizar com a continuidade do aprendizado das línguas.
"Os bilíngües têm dupla personalidade."
Bilingüismo não leva à dupla personalidade. O que acontece é que os bilíngües assumem atitudes diferentes quando falam uma ou outra língua devido às diferenças culturais relacionadas a essas línguas. Quando um bilíngüe fala português, ele se comporta de acordo com o padrão de comportamento das pessoas que falam português com ele. Ao falar alemão, não terá apenas que mudar de língua, mas também de atitude ao se comunicar em um meio "alemão". Isso não tem nada a ver com a personalidade do indivíduo, e sim com o ambiente social em que se encontra.
"O bilingüismo é uma exceção. O normal é ser monolíngüe."
É praticamente impossível saber exatamente quantas pessoas bilíngües existem no mundo, mas as últimas estimativas indicam que mais da metade da população mundial é bilíngüe. Quem nasceu em um país onde só se fala uma língua não percebe que a grande maioria dos países abriga falantes de várias línguas. Mesmo dentro do Brasil há regiões onde mais de uma língua são faladas e onde as crianças crescem bilíngües
"O seu filho já tem X anos? Agora é tarde, ele nunca vai aprender as duas línguas."
É verdade que, quanto mais cedo alguém aprender uma língua, mais rápido e melhor será o aprendizado. As razões para isso são biológicas - crianças aprendem melhor e mais rápido que os adultos. Por outro lado, há adultos que conseguem aprender perfeitamente uma outra língua, muitas vezes até sem sotaque. Tenha a pessoa que idade tiver, ela é capaz de aprender uma outra língua. As diferenças de aprendizado de uma pessoa para a outra são causadas não só pela idade, mas também pelo empenho, motivação, nível escolar, tempo de exposição à língua, entre outros fatores.
Se o seu filho já não tem mais três anos de idade, mas também não é um adulto, não há porque não começar agora a falar português com ele, caso você só tenha falado alemão até hoje.
Site:
http://www.viver-na-alemanha.de/index.php?option=com_content&task=view&id=42&Itemid=174
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
PUC-SP (graduação) - Abordagens sintáticas e semânticas
Postagem para os alunos de terça-feira à noite (segundo período), da disciplina "teoria linguística: abordagens sintáticas e semânticas".
25/08/09
- aquisição e desenvolvimento do saber sintático
- áreas da linguística
- aquisição fonológica
Leitura para próxima aula (01/09/09):
capítulo 1 - O Estudo da Gramática in:
Mioto, C., Figueiredo Silva, M.C., Lopes, R. E. V. (2004) Novo Manual de Sintaxe. Editora Insular. Florianópolis.
01/09/09
- Revisão do sistema lingüístico e suas interfaces: o léxico, o sintático, o semântico e o perceptual articulatório.
- Conteúdo proposicional / mentalese / idéias e abstrações e suas relações como o sistema lingüístico.
- Relação entre a morfologia e a sintaxe: sintagma nominal, sintagma verbal, sintagma adjetical, sintagma preposicioal e suas possíveis funções dentro de uma sentença.
- Teoria gramatical e tipos de gramática: gramática prescritiva, gramática descritiva, gramática pedagógica.
Idéias que precisam ser revistas:
- "o predicado é o que sobra da sentença após o sujeito ser retirado" (na verdade, o predicado é o elemento que selecional os argumentos e determina os papéis temáticos a fim de constituir uma relação gramatical lícita).
- "o verbo é uma palavra de ação" (na verdade, temos vários tipos de verbos. Os de ação constituem apenas uma classe).
Para próxima aula (08/09/09)
ler ou reler o texto "O Estudo da Gramática" e resolver os exercícios no final do capítulo.
08/09/09
-Discussão e dúvidas sobre o texto "O Estudo da Gramática"
- Revisão de tipos de gramática:
a gramática normativa/prescritiva/tradicional (um conjunto de regras de etiqueta): a gramática tradicional é um sistema dogmático, que tem por função manter a unicidade da língua diante de todas as variações e diversidades linguísticas. No entanto, muitas de suas regras são taxativas (ad hoc = do tipo 'é por que é') e não têm valor explanatório.
Ponto a se observar ao utilizar uma gramática tradicional: os exemplos dados são sempre a favor da regra. Uma vez que não há conteúdo explicativo na gramática tradicional (que serve como um guia de boa escrita), os exemplos apresentados são irrefutáveis, uma vez que não há exemplificação de "contra-exemplos".
gramática descritiva, gramática mental e gramática pedagógica.
- Um contra-exemplo para a gramática pedagógica - os pronomes em inglês "subject pronouns" e "object pronouns" são nomes equivocos, pois misturam conceitos morfológicos e sintáticos que não definem os termos de acordo com o posicionamento e as sentenças finitas e não-finitas.
- início da resolução dos exercícios ao final do capítulo. Na próxima aula (15/09) retomaremos a partir da segunda questão.
Para próxima aula (15/09/09): reler o texto e resolver os exercícios ao final do capítulo.
25/08/09
- aquisição e desenvolvimento do saber sintático
- áreas da linguística
- aquisição fonológica
Leitura para próxima aula (01/09/09):
capítulo 1 - O Estudo da Gramática in:
Mioto, C., Figueiredo Silva, M.C., Lopes, R. E. V. (2004) Novo Manual de Sintaxe. Editora Insular. Florianópolis.
01/09/09
- Revisão do sistema lingüístico e suas interfaces: o léxico, o sintático, o semântico e o perceptual articulatório.
- Conteúdo proposicional / mentalese / idéias e abstrações e suas relações como o sistema lingüístico.
- Relação entre a morfologia e a sintaxe: sintagma nominal, sintagma verbal, sintagma adjetical, sintagma preposicioal e suas possíveis funções dentro de uma sentença.
- Teoria gramatical e tipos de gramática: gramática prescritiva, gramática descritiva, gramática pedagógica.
Idéias que precisam ser revistas:
- "o predicado é o que sobra da sentença após o sujeito ser retirado" (na verdade, o predicado é o elemento que selecional os argumentos e determina os papéis temáticos a fim de constituir uma relação gramatical lícita).
- "o verbo é uma palavra de ação" (na verdade, temos vários tipos de verbos. Os de ação constituem apenas uma classe).
Para próxima aula (08/09/09)
ler ou reler o texto "O Estudo da Gramática" e resolver os exercícios no final do capítulo.
08/09/09
-Discussão e dúvidas sobre o texto "O Estudo da Gramática"
- Revisão de tipos de gramática:
a gramática normativa/prescritiva/tradicional (um conjunto de regras de etiqueta): a gramática tradicional é um sistema dogmático, que tem por função manter a unicidade da língua diante de todas as variações e diversidades linguísticas. No entanto, muitas de suas regras são taxativas (ad hoc = do tipo 'é por que é') e não têm valor explanatório.
Ponto a se observar ao utilizar uma gramática tradicional: os exemplos dados são sempre a favor da regra. Uma vez que não há conteúdo explicativo na gramática tradicional (que serve como um guia de boa escrita), os exemplos apresentados são irrefutáveis, uma vez que não há exemplificação de "contra-exemplos".
gramática descritiva, gramática mental e gramática pedagógica.
- Um contra-exemplo para a gramática pedagógica - os pronomes em inglês "subject pronouns" e "object pronouns" são nomes equivocos, pois misturam conceitos morfológicos e sintáticos que não definem os termos de acordo com o posicionamento e as sentenças finitas e não-finitas.
- início da resolução dos exercícios ao final do capítulo. Na próxima aula (15/09) retomaremos a partir da segunda questão.
Para próxima aula (15/09/09): reler o texto e resolver os exercícios ao final do capítulo.
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